28.12.09

Um Brasil Iluminista _ resenha do livro Iluminismo e Império no Brasil: O Patriota (1813-1814)


Para lerem a resenha de minha autoria publicada no Jornal O Globo _ Caderno Prosa & Verso, em 5 de Abril  de 2008, acessar o link abaixo: 

18.12.09

Sobre a Criação da do Conselho Federal de Jornalismo

Fundametal a discussão!!

Assim como Héródoto, nesse particular estou com Cony.

Ouçam! Vale a pena. Sobretudo em quem tempos em que o diploma do jornalista virou pó... Triste, muito triste.

CBN - A rádio que toca notícia - Cony & Xexéo

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI sob o olhar libertário de Salvador Dalí

Apesar de a 'História do Silêncio' ter seus interstícios fundamentais para nos contar muito sobre a História da Represessão e dos Vencidos, não me posso mais calar. Já não me basta olhar e refletir na liberdade infinita do meu pensamento.


                                                                 
Salvador Dalí.

A luta pela distribuição de renda


“Campinas já está entre os 10 maiores PIBs do Brasil”. Assim foi a manchete de hoje do jornal Correio Popular, diário mais importante da cidade. O foco da reportagem é sobre a expansão da economia no setor de serviços, informação muito salutar para todos aqueles que vivem em Campinas. A meu ver, Campinas não é apenas uma cidade de destaque por ter um pólo econômico promissor. A cidade é referência em muitas áreas: da excelência da educação superior cujo exemplo maior é a Unicamp aos tratamentos inovadores na área da saúde pública, como o Boldrini.

Campinas hoje às 12h45min. Com os vidros do meu carro completamente abertos, numa conversa cotidiana e distraída com a minha mãe e a espera da abertura do semáforo, eis que sou violentamente abordada por um sujeito que exige meus pertences. Numa fração de segundos, olho para ele, que quase me beija, tamanha era a sua ansiedade. “Acabei de sair da cadeia, tenho AIDS, estou armado. Fique quieta. Me passa tudo o que vocês tiverem. Quero o celular. Vai, vai logo. Passa tudo!” Tentando manter-me calma, peço que minha mãe abra a bolsa. Pego o celular dela. Passo para ele. Ele exige o dinheiro. Ela oferece R$50,00. Ele diz: “Quero tudo. Vocês estão em duas. Cadê a outra bolsa?”


Nessa hora me vi sem saída. O que fazer? Pegar a minha bolsa com todos os meus pertences de dinheiro a cartão de crédito ou exigir que ele me mostrasse a sua arma? Afinal de contas, o discurso dele soou-me como senso comum. Sinceramente, não acredito que ele estivesse armado. Mas arriscaria a minha vida e a da minha mãe para exigir o meu direito de não entregar os meus pertences? Ainda sob essa fração de segundos, que parece uma eternidade enquanto o sinal verde não aponta à sua frente e você possa seguir – viva ou não – depende das circunstâncias, pedi que minha mãe entregasse sua carteira de dinheiro. Ela sutilmente hesitava. Entreguei-lhe a carteira com R$90,00. Ainda tive a frieza, sanidade, ou seja lá que nome se dê a isso, de dizer-lhe: “É tudo o que temos”. O sinal abriu. Partimos.
Gélidas. Tensas. Nervosas. Apavoradas. Mas também aliviadas por não ter acontecido coisa bem pior conosco.


Meu senso de justiça e a minha consciência cidadã me puseram à prova. Fui ao 13° DP fazer B.O . Eis que a investigadora me diz. “Ih, Juliana, seu caso é o mais corriqueiro por aqui. Não imaginas o que acontece todos os dias! Esse Cambuí...” Detalhe: o Cambuí é um dos bairros mais nobres da cidade. Um dos mais prósperos economicamente. Coincidentemente um dos mais violentos também. No Distrito Policial, sou encaminhada para o reconhecimento do sujeito. Eu reconheceria o sujeito que me assaltou sem maiores pudores? Sento em frente ao investigador. Ele me mostra dezenas de fotos de “suspeitos.” Reconheço um que está sempre pelas ruas do centro. Vejo meninos bem vestidos. Vejo mulheres. Mas a maioria deles eram homens, negros entre 20 e 35 anos. Eis que reconheço não o sujeito que me assaltou – na faixa de 25 a 30 anos -, mulato claro, magro, de cabelos lisos e bem vestido. Eis que reconheço um dos graves problemas brasileiros que é a Mãe da violência urbana: a péssima distribuição de renda desse país, que transpassa outra questão de ordem social: a marginalização do negro, do pobre, a falta de educação da nossa sociedade e, sobretudo, a corrupção dos órgãos públicos que deveriam nos proteger. Durante a conversa com o investigador, ele diz: “Olha Senhora, sei que é duro ouvir isso de um policial, mas entre os dias 18 de Dezembro e 4 de Janeiro ninguém deveria sair de casa. Eles estão à solta! É a saidinha...” referindo-se ao indulto de Natal. Atônita com aquela posição questionei: “E a polícia, o que pode fazer? O que me adianta estar aqui a reconhecê-lo?” , “Iremos averiguar o histórico do ladrão”, respondeu com a maior tranquillidade.


Pois é, diante de tantos absurdos refleti sobre quem são os protagonistas dessa História. Somos todos nós. Há luta pela igualdade na prática cidadã. Hoje vi que por mais injusta que seja a nossa distribuição de renda ela acontece de todas as formas que lhe cabe: pelas políticas públicas, pela solidariedade do terceiro setor com Ongs responsáveis e conscientes de seu papel ou pela força da violência urbana. Diante disso, cabe a nós escolhermos o caminho mais ético. Não há vítimas.

9.12.09

Fascinação

Uma palavra mal colocada, um estado de espírito diferente, um silêncio que antes não existia e tudo muda... Com a sutileza de um furacão que não tem hora para começar nem para terminar. Verdade é a frase de Marshall Berman tudo que é sólido desmancha no ar. Ou seja, tudo é relativo e se transforma em um piscar de olhos... As diferenças existem para serem transpostas.



Mas a que preço? Estamos dispostos a pagar por nossas inseguranças sem que machuquemos quem amamos ou supomos amar?


Nesse momento de repente ouço a música da minha vida na voz de Gal. Fascinação. Não pedi para ouvi-la, ela invade sutilmente a minha janela, toma meus ouvidos e me emociona.


Sempre. Na dor ou na alegria.


Sempre. Na insegurança ou na esperança.


Sempre. Quando me imagino em direção ao homem que escolherei para colocar a aliança na minha mão esquerda.


Sempre. Quando lembro os meus sonhos que se foram, se realizaram ou estão por vir.


Sempre. Na angústia do caminho incerto do tempo que nos leva a Deus.


Sempre em mim mesma, a inspirar práticas e erros e acertos incalculáveis na imprevisibilidade do presente.


Já não me cabe mais decidir a contagem das pedras ao redor do mar. Resta-me olhar as ondas e tentar decifrar a sua natureza e o destino de suas imperfeições e diferenças. Cada onda é um ser autônomo que nos banha e nos recria. Todas nos limpam o espírito das diversas e complexas matizes que nos colorem a alma e nos impõem escolhas... Cabe-nos optarmos. Qual o caminho? Ouviremos as batidas do coração ou as hipóteses racionais da vida? Por onde seguir?


Decisões. Fascinam-nos e angustiam...


A voz


        Temos a consciência de que a nossa voz é um instrumento poderoso de expressão e cidadania, que nos individualiza e nos coloca frente a frente com o que somos? Como utilizamos a nossa voz nas lutas cotidianas? O pensador Italo Calvino nos convida a uma interessante reflexão:
"...Aquela voz certamente vem de uma pessoa única, inimitável como qualquer pessoa, porém uma voz não é uma pessoa, é algo de suspenso no ar, destacado da solidez das coisas. Também a voz é única e inimitável, mas talvez num outro modo diferente da pessoa: poderiam voz e pessoa não se parecer. Ou então assemelhar-se de um modo secreto, que não se vê a primeira vista: a voz poderia ser o equivalente que a pessoa tem de mais oculto e de mais veradeiro. É um você próprio sem corpo que escuta aquela voz sem corpo? Então que você a escute de fato, relembre ou a imagine, não faz diferença.
Contudo, você quer que seja o seu próprio ouvido a ouvir aquela voz, portanto o que o atrai   não é somente uma  lembrança ou uma fantasia mas a vibração de uma garganta de carne. Uma voz significa isso: existe uma pessoa viva, tórax, sentimentos, que pressiona no ar a voz diferente de todas as outras vozes. Uma voz põe em jogo a úvula, a saliva, a infância, a pátina da existência vivida, as intenções da mente, o prazer de dar uma forma própria às ondas sonoras. O que o atrai é o prazer que esta voz põe na existencia - na existência como voz -, mas esse prazer o conduz a imaginar o modo como a pessoa poderia ser diferente de qualquer outra tanto quanto é diferente a voz..."
(Italo Calvino. Sob o Sol - Jaguar. São Paulo: Cia das Letras, 1995, p.79)

Liberdade de expressão.